Design Thinking para Lisboa!

Pedro Albuquerque

O √Ęmbito de interven√ß√£o do design tem-se circunscrito ao universo do branding, da comunica√ß√£o, dos produtos e dos espa√ßos. Mas, eis que se come√ßa a falar em transformar as cidades e os pa√≠ses atrav√©s dele. Bill Moggridge, co-fundador da IDEO, o designer do primeiro laptop da hist√≥ria, refere na revista WIRED, n√ļmero
de Dezembro de 2009, que a IDEO foi consultada pela Casa Branca, j√° no mandato de Barack Obama, para ajudar a revigorar o servi√ßo p√ļblico americano; pelo governo da Isl√Ęndia para ajudar o pa√≠s a inovar uma forma de sair da crise financeira; pela kellogg Foundation para reinventar a educa√ß√£o. Isto revela uma nova percep√ß√£o sobre o poder que o design thinking tem na transforma√ß√£o de neg√≥cios, sistemas sociais, cidades e estilos de vida. De qualquer modo, este novo paradigma determinou uma reforma no pr√≥prio design, deixou de ser um dom√≠nio exclusivo dos designers para passar a ser participado por profissionais de outras √°reas de compet√™ncia. Deixou de ter uma predomin√Ęncia visual e formal para assumir uma dimens√£o multissensorial e comportamental.

O design aborda os processos conciliando o cálculo e a forma, a razão e a emoção, o complexo e o simples,
as maiorias e as minorias. O design não tem uma cultura average própria do marketing, centrada no consumidor dominante. Procura antes a solução ideal que resolva o problema de 5% da população, com a mesma determinação, e sem incompatibilidades, com que o faz para os restantes 95. A natureza humana é complexa
e diversificada e é com base neste pressuposto que o design actua, vendo aquilo que as pessoas não mostram, ouvindo aquilo que as pessoas não dizem. O designer quer os cidadãos que dependam de cadeira-de-rodas
a circular pelas ruas da cidade (se não os virmos é mau sinal), tal como quer divas a caminhar de salto-alto, sem o sobressalto de um stiletto preso num buraco do passeio.
Este Inverno foi especialmente duro para os sem-abrigo, como são um minoria esquecida, fingimos não os ver num qualquer canto da cidade, encolhidos pelo frio, chuva e vento. Mas também sabemos que muitos deles perderam o rumo e, em muitos casos, não têm discernimento para aproveitar uma oportunidade de integração social. Eis um problema passível de design thinking, pois, ao que podemos constatar, todos os outros métodos ainda não o resolveram.

Os representantes da C√Ęmara Municipal de Lisboa ficam bem na fotografia da Moda Lisboa ou nas inaugura√ß√Ķes de exposi√ß√Ķes no Museu Mude, como bons promotores do design, mas, na verdade, est√£o longe de o integrar na resolu√ß√£o di√°ria dos problemas e desafios que afectam as pessoas que vivem, ou visitam
a cidade.