Este país não é para novos

Pedro Albuquerque

Se me deixassem gerir o destino dos meus impostos, aplicava quase tudo na educação.
O "sangue novo" é a salvação que nos resta.
Hoje, mais do que nunca, defendo que a grande fatia do investimento público deve incidir na formação de uma nova geração, com valores humanos mais elevados, um outro nível de conhecimento, empreendedorismo
e exigência. Uma geração capaz de, uma vez por todas, descolar Portugal da mediocridade e projectá-lo
na linha da frente. Isto implica sermos melhores que os finlandeses a ensinar, termos melhores universidades que os americanos, os ingleses ou os japoneses. Implica serem os pais a escolher a escola para os seus filhos e, as escolas a escolher a sua própria equipa de professores.

Infelizmente, os programas e discursos em prol dos "jovens" só têm servido para dissimular um sistema montado para proteger e favorecer os velhos, nunca os novos. No ensino, professores incompetentes, de longa data, são intocáveis enquanto os novos candidatos, por muitas vantagens que tragam, têm que ir ensinar para
o "fim-do-mundo" se não quiserem ficar de fora. Já a política de habitação favorece velhinhos com rendas irrisórias, ciganos retirados à força das barracas, banqueiros, construtores, privilegiados da Câmara, todos, menos os que desejam sair de casa dos pais para começar a sua vida, a sua independência. O mercado
de trabalho, por sua vez, está contaminado de recibos verdes, esse precário
"modelo de emprego" que é o melhor que muitas empresas têm para motivar os que lutam para começar uma carreira.

Não, este país não é para novos.

E, enquanto assim for, não nos podemos queixar do grave problema demográfico que temos, da saída
de talentos para o estrangeiro, e, de não modernizarmos a economia ao ritmo que a globalização exige.

Mas atenção, os jovens não estão de todo esquecidos, são uma força bastante apreciável para estágios inconsequentes ou para programas de voluntariado, ou seja, são óptimos para se poupar dinheiro.
Quando têm a felicidade de encarreirar, os reformados agradecem, a Diesel, a Nike, a Miss Sixty, a Nokia,
e a X-Box também. Afinal, são óptimos para gerar dinheiro.

E ao contrário? Quem é que investe neles?

Eis um caso, um projecto que, na Albuquerque Designers, nos orgulhamos de ter em mãos: O sistema integrado de comunicação para todas as escolas secundárias do país, o qual, por sua vez, se insere num programa alargado de reforma integral do parque escolar, ao nível do equipamento e da arquitectura. Pelo o que já pude observar na Escola Secundária D. Dinis, o antes e o depois desta intervenção são duas realidades distintas; onde reinava a precariedade, a humidade, o frio, o desmazelo, encontramos agora um espaço organizado, amplo, bem equipado, climatizado, com uma gestão eficiente dos recursos energéticos, cómodo e estético.
Uma intervenção de 10 milhões, a ser multiplicada por trezentas escolas, e que é a dimensão deste programa promovido pela empresa Parque Escolar, sob a tutela do Ministério da Educação. De qualquer modo,
o investimento não se lê apenas em números, mas também, em qualidade projectual, ou não fosse a nova arquitectura do Liceu D. João de Castro estar atribuída ao brilhantismo de um Gonçalo Byrne.

Isto sim, é investir a sério naqueles que poderão fazer muito mais pelo país do que apenas garantir as reformas.