Imagem marcador
Do you have a powerful icon in your Biz?
Do the Marker test!
Imagem marcador
Teste do Marcador
Pedro Albuquerque

√Č limitado o universo de marcas e produtos facilmente retrat√°veis com um desenho sint√©tico, e, pouco apurado, feito a marcador de feltro de ponta grossa, como se de uma sess√£o de Pictionary se tratasse. S√£o precisamente esses os que passam no teste do marcador.

Se, com esta condicionante, eu desenhar uma Suzuki GSX-R 1000, o mais prov√°vel √© que o meu desenho revele, aos olhos de todos, nada mais do que uma moto. Mas, se em vez da Suzuki, eu desenhar uma Vespa, esque√ßam a moto, a motorizada ou a lambreta ‚ÄĒ todos dir√£o que √© uma Vespa.
A Vespa rompeu com o modelo standard dos motociclos e surgiu com um estilo
de tal forma inédito que se tornou num símbolo em si mesmo. Entre vários exemplos de produtos que, como a Vespa, adquiriram o estatuto de símbolo,
os tais que no teste do marcador eu consigo identificar, estão os clássicos Ray-Ban, a garrafa da Coca-Cola, o Porsche 911, a cadeira Egg de Jacobsen, a garrafa Mateus Rosé e, quanto a símbolos de marca, o da Nike, o da Shell,
o da Wolkswagen ou o da Chanel. Quem possuir um desses espécimes raros
que passam no dito teste ter√° uma mina de ouro para explorar.

Um produto, ou uma marca, que passe no teste do marcador nasce do espírito visionário de designers que criam novas linguagens formais, simplificam
a complexidade e provocam rupturas que abalam positivamente a sociedade. Por√©m, o factor design, por si s√≥, n√£o chega. √Č necess√°rio o fen√≥meno
da globalização como complemento, ou seja, a garantia de reconhecimento generalizado desse mesmo produto ou marca em diferentes mercados internacionais.

Haverá ainda espaço no futuro para criar novos produtos e símbolos que passem
no teste do marcador? Desde o início do século XX, com Walter Gropius, Mies van der Rohe, Gerrit Rietveld, Piet Mondrian, Le Corbusier a instaurarem uma nova génese de materialização e organização do Mundo segundo um processo
de s√≠ntese geom√©trica, a ind√ļstria nunca mais parou de nos surpreender com conceitos in√©ditos. O boom foi de tal forma expressivo que o espa√ßo criativo
das novas gera√ß√Ķes de designers se foi tornando cada vez mais apertado.
N√£o se podia criar uma cadeira em estilo moderno sem que ela se parecesse com uma das desenhadas por Le Corbusier, Rietveld ou Alvar Aalto. No entanto,
o surgimento da Era Digital, no decorrer da √ļltima metade do s√©culo XX, anulou esse crescente afunilamento de oportunidades para se ser pioneiro nalguma coisa. As tecnologias digitais, com o seu vasto campo de aplica√ß√Ķes, despoletaram novas necessidades de consumo e, assim, ampliaram o potencial de cria√ß√£o de novos objectos e modos de comunicar. Para ilustrar esta fase dos acontecimentos temos o exemplo do "iPod", prova acabada de que o futuro √© promissor para quem concebe "ideias de marcador".

O teste do marcador avalia sobretudo os valores da expressividade
e da exclusividade simb√≥lica e formal de um objecto. No entanto, existem milh√Ķes de produtos e s√≠mbolos de marca bem sucedidos que nunca passariam no teste. Este facto pressup√Ķe a exist√™ncia de outros valores e, por isso, outros crit√©rios
de avaliação.

O teste do marcador é falível? Só mesmo para quem não sabe fazer um risco. Ainda assim, se submeter a Ponte 25 de Abril ao teste haverá sempre alguém capaz de confundi-la com a ponte de S. Francisco. Mas, nesse caso, o problema
é das pontes...

Adivinhe a marca, adivinhe o produto.
Imagem marcador