WTF are you waiting for?

Pedro Albuquerque

Os marxistas-leninistas defendiam que os ricos deviam repartir a sua riqueza pelos pobres.
Agora, tudo o que pedimos é que a invistam bem.

Esqueçam os criativos geniais, os técnicos brilhantes e os gestores de excelência. A qualidade de um país depende, acima de tudo, da qualidade dos seus investidores, sejam eles individuais ou empresariais.
Se os seus capitais forem canalizados em inovação e construção de marcas globais, o país progride.
Se, pelo contrário, apostarem, sempre e só, na especulação imobiliária ou bolsista, em offshores ou na dependência dos investimentos e favores do Estado, teremos eternamente um país conformado com
o crescimento do PIB a 1,8 %. A verdade é que esta mísera percentagem espelha não só os nossos sucessivos (des)governos, mas também uma boa parte do que vale a nossa comunidade de investidores.

Por raz√Ķes profissionais tendo a monitorizar o problema numa perspectiva de marcas, uma vez que,
na economia contempor√Ęnea, s√£o elas o principal interface entre os neg√≥cios e o mercado. Come√ßo por perguntar quantas marcas portuguesas s√£o consideradas verdadeiramente globais ao n√≠vel de uma Shell, Zara ou Carlsberg? Nestes √ļltimos tempos, Portugal Europe¬īs West Coast, foi a √ļnica marca portuguesa a fazer publicidade na conceituada revista WallPaper. O mesmo se passa noutras revistas internacionais de refer√™ncia onde nunca vemos campanhas de marcas nacionais, excepto quando se trata do Turismo de Portugal.
Até quando a projecção internacional da nossa economia dependerá quase exclusivamente dos investimentos do Estado?

Temos, de facto, um d√©fice enorme no que diz respeito √† exporta√ß√£o de marcas. Note-se que exportar marcas n√£o √© sin√≥nimo de exportar mercadorias ou servi√ßos, muito menos em Portugal onde muita da exporta√ß√£o resulta da encomenda de marcas estrangeiras ou, quando assim n√£o √©, n√£o vai al√©m do "mercado da saudade" (essa express√£o deprimente). Exportar marcas implica valoriz√°-las, diferenci√°-las e, comunic√°-las √† escala global com uma frequ√™ncia regular. √Č um investimento muito elevado e pode levar o seu tempo a tirar dividendos, da√≠ a relut√Ęncia dos investidores em arriscar por esta via, isto apesar de se saber que a exporta√ß√£o √© substancialmente mais rent√°vel para produtos com marca pr√≥pria, reconhecidos internacionalmente.

O mais paradoxal de tudo isto é que temos hoje excelentes especialistas em gestão, "branding" e design,
a investigar, a trabalhar, a fomentar a cultura de marca, o que, à partida, é uma boa garantia de investimento.
Os sinais est√£o √† vista, uma boa parte das marcas portuguesas j√° se modernizou pelos padr√Ķes internacionais de imagem de marca. Mas quantos destes projectos t√™m repercuss√£o internacional? WTF are you waiting for?

Termino optimista, identificando algumas das marcas que, neste momento, j√° atiraram este meu texto para
o lixo: Bial, Critical, EDP, Fly London, Galp, Mateus Rosé, PT, Renova, Salsa, Sonae, Super Bock, Via Verde, Ydreams. Portuguesas? Não. Multinacionais.